A intensificação e a maior frequência dos eventos climáticos extremos têm ampliado os desafios enfrentados pelos gestores do Sistema Único de Saúde (SUS), tornando indispensável o fortalecimento das ações de preparação, adaptação e resposta dos serviços de saúde. Com a previsão de eventos climáticos extremos associados ao fenômeno El Niño, a Confederação Nacional de Municípios (CNM) alerta os gestores municipais para a importância do planejamento antecipado e da implementação de ações integradas de prevenção e resposta aos impactos das baixas temperaturas em algumas regiões do país, especialmente junto às populações em situação de maior vulnerabilidade.
Neste sentido, a CNM divulgou uma Nota Técnica para que os Municípios possam se preparar para o El Niño e lista algumas recomendações simples para que os gestores locais possam executar neste inverno:
Fiquem alertas:
a) Crianças e idosos são mais suscetíveis às doenças agravadas pelo frio. Mantenha-os agasalhados;
b) Em decorrência das doenças oportunistas que incidem mais no período do frio (gripe, resfriado, pneumonia e meningite), é essencial tomar medidas simples como evitar locais fechados e de grande circulação de pessoas, além de higienizar frequentemente as mãos.
O que fazer durante:
A CNM lembra que nesse contexto, a Atenção Primária à Saúde (APS) desempenha papel estratégico na coordenação do cuidado e na atuação territorial, sendo fundamental para identificar precocemente situações de risco, realizar busca ativa, monitorar pessoas vulneráveis e articular o acesso aos demais pontos da Rede de Atenção à Saúde. A CNM orienta os Municípios a elaborarem ou atualizarem seus planos de contingência para ondas de frio, em articulação com a Defesa Civil, Assistência Social, órgãos de meteorologia e demais instituições da rede de proteção. É recomendável estabelecer fluxos de comunicação entre os serviços, definir protocolos intersetoriais de atendimento e organizar previamente as ações de acolhimento e proteção da população.
Ações territoriais
Para os Municípios com população em situação de rua, é essencial intensificar as ações territoriais, promovendo a busca ativa em locais de permanência dessa população, atualizando os cadastros, ampliando o acesso aos serviços de acolhimento e fortalecendo a articulação com equipamentos como Centros POP, Creas, serviços de abordagem social e unidades de acolhimento, além de intensificar as estratégias de vacinação, especialmente contra influenza e Covid-19. A CNM ressalta, ainda, a importância do monitoramento e do registro adequado dos atendimentos realizados durante esses eventos climáticos, contribuindo para o planejamento das ações e para o acompanhamento da situação de saúde da população.
Apoio
Por fim, a Confederação reforça que a crescente frequência e intensidade dos eventos climáticos extremos impõem novos desafios à gestão municipal, evidenciando a necessidade de maior apoio da União. Além da elaboração de orientações técnicas e da implementação de planos nacionais de adaptação às mudanças climáticas, é fundamental que o governo federal assegure recursos financeiros suficientes, previsíveis e tempestivos para apoiar os Municípios no planejamento, na preparação e na resposta às emergências climáticas.
O fortalecimento da capacidade local de atuação é essencial para garantir a continuidade dos serviços de saúde, ampliar a resiliência dos territórios e proteger, de forma efetiva, a população, especialmente os grupos em maior situação de vulnerabilidade.